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António Faustino
Vila da Ponte

Linda Vila da Ponte,
Ponte e vila muito antigas,
Famílias bem formadas
Com pessoas educadas
E sempre muito amigas.

Prendada com a medicina
E no campo sacerdotal,
És um jardim com flores
De onde saíram Doutores
E gente de alta posição social.

Dividida pelo rio Távora
Que te lava os pés com brio,
Até nos causa inveja
Do nascente tens a igreja
Ao poente a beira-rio.

Lá no alto da Borralheira,
A Senhora das Necessidades
A dar saúde aos doentes
E fé aos próprios descrentes
E aos seus fieis felicidades.

Está na sua capelinha
Lá no cimo do monte.
Não sejamos como S. Tomé!
Acreditamos que ela é
O símbolo da Vila da Ponte.

Até na própria indústria
Já se define muito bem
Nos blocos que fabrica,
Linda câmara frigorífica
E nas oficinas que tem.

De mecânica e alumínios
Muito bem acreditadas
Porque os seus gerentes
São homens inteligentes.
Pessoas muito educadas.

Tem bela farmácia, bom médico
Que te servem muito bem.
Não sei mais o que careces:
Tens tudo quanto mereces
E eu por mim acho bem.

E na gastronomia
Aonde servem com brio
Além do mais quem for ali
Tem peixes e javali
Na pensão Beira-Rio.

E aínda se pode ver
Saír de qualquer quelho
Enorme força que puxe
É o burro de Coruche
Carregado de ferro velho.

Quanto aos teus acessos
Torna-se maravilhoso:
Pode viajar sem trégua
Quem quizer ir para a Régua
Ou para Vilar Formoso.

Noutro molde de estradas,
Que não sendo de primeira,
Não é em nada mais ruim
A que liga a Ferreirim
E Sernancelhe à Pesqueira.

Por onde eu percorri
Tantos quilómetros a pé
À neve, à chuva e ao vento
E tudo a culpa foi do tempo
Que não era como agora é.

Gostava escrever mais de ti,
Mas a escrita é reduzida.
E quando eu falo de ti,
Lembro alguém que vive aí
A quem eu devo a vida.

Não esqueço a tua escola:
Para a vida é um horizonte
Que fica na lembrança
De qualquer criança
Da linda Vila da Ponte






Linda é Vila da Ponte
Ponte e Vila muito antiga
Famílias bem formadas
Por pessoas educadas
E sempre muito amigas.

Prendada com medicina
E no campo sacerdotal
É um jardim com flores
De onde saíram doutores
E gente de alta posição social.

Dividida com rio Távora
Que te lava os pés com brio
Até nos causa inveja
Do nascente tens a igreja
Ao teu poente a beira rio.

É tão Lindo ao pôr do sol
A Senhora das Necessidades
Lá do cimo do monte
Abençoa a Vila da Ponte
Para que tenha felicidades.

E no campo industrial
Em grande movimentação
Nas oficinas que tens
E nos grandes armazéns
de materiais de construção.

Na tua fábrica de blocos
Câmara de fruta conservada
Já nada ali é como era
Mas há tanta gente à espera
Da clínica tão desejada.

Lindo o teu campo geográfico
Aonde nada se faz velho
Tu és um amor perfeito
Que estarás sempre no peito
Deste teu lindo concelho.

 

 

 





 

António Faustino:
 

 

Natural de Arnas - Sernancelhe, António Faustino hoje de 78 anos de idade, iniciou há 8 anos atràs a coragem de escrever as suas poesias; até essa altura guardava tudo na sua mente: como era interessante ouvi-lo versificar, contar histórias e anedotas.
Aprendeu na escola primária a lição da escola da vida, guardando desta grandes recordações: os professores, os colegas, os livros, as canetas e os tinteiros; fez a sua 4ª classe em Junho de 1931.
Na sua terra natal e na sua juventude foi pastor, quis ser lavrador e foi um rapaz exemplar de trabalho. Assentou praça em Coímbra em 1941 no Regimento de Artilharia. Após a tropa voltou para as Arnas.
Casou em Vila da Rua, Moimenta da Beira em Fevereiro de 1943, e aí continuou a viver até hoje na sua profissão de agricultor.
Foi em Agosto de 1990 que tomou então a decisão de escrever o seu primeiro livro; pronunciou então as seguintes palavras:
- Aínda que os versos do meu livro fiquem tão pobrezinhos como eu fui em toda a minha vida, vou tentar escrevê-lo e prometer a mim próprio que o farei apenas com a minha autoria; não copiarei uma letra sequer por ninguém, para que a leitura do meu livro seja única.
No dia imediato escrevia as primeiras palavras do seu livro: "Aldeia onde nasci"

                                                                                                                          António Faustino
 

Freixinho

Freixinho, antes da barragem,

Não havia outro povo igual.

Tratavam os animais com brio,

Com pastagens do Rio.

Criadas no lindo amieiral

 

Agora um pouco diferente

O melhor desapareceu,

Lindas terras a beira-rio

Mas a coragem e o brio

Nos habitantes não morreu.

 

Empurrados para o monte

Pelas águas que lhes tocaram

Com coragem o povo todo,

No sopé do monte gordo

Um novo povo formaram.

 

Com melhor produção

Do que era atrasada

Batatas, azeite e vinho

Caça, pesca, madeira de pinho

Fruta boa e variada

 

Desprovidos de indústria

E a lavoura degradada,

Freixinho é mesmo assim:

O povo parece jardim

E ali não falta nada

 

Graças à iniciativa

Desta gente muito amável

Que o povo tem como herança

Gente com muita esperança

E uma fé inabalável.

 

A linda juventude de agora

Que nada tem na lembrança,

Ainda tem contemplação

Pela juventude de então

Que ajudaram na mudança

 

Trabalharam por amor

A terra que os viu nascer

Entre o presente e o passado

Deixaram seu nome gravado

Para nunca mais esquecer.

 

 

 

Seu padroeiro S. Miguel

Também quis ajudar:

Orientou a população

Na linda organização

Sem sair do seu altar

 

Freixinho, berço dourado,

Que embalou gente de bem,

Embalou professoras,

Senhoras muito senhoras

e doutores também.

 

O convento N.S. do Carmo,

De freiras que já morreram,

que lindos doces inventaram

Cujas receitas deixaram

Às senhoras que aprenderam.

 

Uma ainda hoje se usa,

Não seria das mais fracas,

Um doce muito procurado,

Por gente de todo lado

Que tem o nome de cavacas

 

As cavacas do Freixinho,

Com muitos belos sabores,

/Eram muito apreciadas

Por gente civilizada

E pelos próprios Doutores.

 

Que em dia de Páscoa,

Entravam em todo lado

E a partir desses dias

Estavam nas romarias

Casamentos de baptizados.

 

Às vezes eram encomendadas

Para os anos de um velhinho,

Por serem bem preparadas

Eram muito apreciadas

As cavacas de Freixinho.

 

 

 

 

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