Voltar 

A Estação de Vila da Ponte

Certo é que todas as povoações onde parava o trem viram um crescimento sócio-económico e social ao longo de todos estes anos, com é óbvio.
 

Uma povoação situada e esquecida no nordeste da Beira-Alta, a que bem se notou e se deve a passagem do comboio foi Vila da Ponte, que drena o concelho de Sernancelhe e Penedono.

Talvez a sorte saísse à partida de Vila da Ponte. Situada a meio tempo entre Régua e Celorico, foi dotada logo no acto da construção da via dum dispositivo que procedia à composição dos comboios. O seu parque de linhas possui uma placa giratória para inversão de locomotivas e fosso para uma revisão destas.

Em meados do século XX, Vila da Ponte era já uma estação viva: movimentos de pessoas para o Hospital de Lamego, para a Senhora dos Remédios, para a feira de Moimenta e Trancoso, e todos aqueles que se dirigiam ora para a região do Porto ora para Lisboa, ou mesmo se fosse possível, através da linha da Beira Alta a passagem para Espanha. Cedo se iniciou a transacção de produtos agrícolas de Sernancelhe e Penedono para as grandes cidades, desde o escoamento da batata, do vinho, do azeite e mesmo fruta fresca que conseguia chegar aos
mercados abastecedores em óptima qualidade (na altura
não havia refrigeração e conservação da fruta). Também duas ou três empresas de confecção de paralelos de  granito de Sernancelhe e Penedono enviavam o material para as grandes cidades.

A era industrial e a tecnologia moderna tornaram-se mais consolidadas a partir de 1970-1980, e com o incentivo da Comunidade Europeia, realizaram-se grandes explorações agrícolas de cultivo de maçã, uva, pêra, frutas oleaginosas, e criaram-se grandes empresas de frio para conservação dos frutos.

A exploração dos granitos tornou-se com principal produto de exportação destes dois concelhos, sendo drenado material já confeccionado em grandes proporções para as grandes cidades do litoral, como os paralelos, azulejos, vigas e suportes totalmente em granito para a construção e embelezamento das habitações, e mesmo material bruto de grandes dimensões (toneladas), transportados nos vagões para serem trabalhados nos locais de destino.

Em reciprocidade pela via férrea, os estaleiros da CP de Vila da Ponte, têm cimento das cimenteiras a preços muito em conta, areias de qualidade, para construção de habitação, dragadas do rio Tejo, etc.

A construção aumentou assim como o número de habitantes e infra estruturas de melhoramento da qualidade de vida de todos os que vivem na região.




Composição a seguir na margem esquerda do
   Távora entre o Mosteiro e Ponte do Abade
 
 

Todavia nem tudo o que luz é ouro. Sempre as politiquices, ou por que há uma passagem de nível sem guarda em determinada zona, ou por que seria necessário um pontão por cima da linha férrea visto que o tráfego automóvel é bastante, com acontece em Mondim, e afilam-se metros de automóveis quando a cancela fecha, etc, etc.

Ultimamente surgiu uma questão política na Assembleia Municipal de Sernancelhe e Penedono: os Presidentes das duas autarquias delinearam a construção dum ramal férreo em linha estreita, partindo de Penedono, passando por Sernancelhe, entroncando-se com a via larga em Vila da Ponte. A oposição política desacordou, visto que as despesas seriam elevadas, não rentáveis e há óptimas soluções rodoviárias. Apresentaram então uma petição sobre a electrificação de toda a linha férrea.
Conclusão: como são despesas da Renfer, tudo ficou pelos pensamentos e sonhos dos políticos

  Voltar