| |
Como já foi referido a viagem
inicia-se a seguir à estrada Nacional de Viseu - Penedono, logo a seguir
ao cruzamento da Quinta do Rape.
O trem vai a uma velocidade baixa, apropriada para se observar a
natureza envolvente.
As primeiras dezenas de metros são conduzidas sob um denso manto de
castanheiros, conforme se pode observar na figura à direita,
transmitindo a todo o viajante um ambiente de floresta densa, como que
impenetrável, com odores naturais envolventes que se distinguem em
função da época do ano.
Por vezes observa-se um rebanho de cordeiros a pastar nos espaços mais
verdes, no período Outonal evidenciam-se os proprietários e rurais
locais a abrirem os ouriços e colherem as castanhas.
Num período
posterior populares a arrebanhar a terra em volta dos castanheiros à
procura de cogumelos e míscaros; enfim ,
é o ciclo da natureza viva e do homem a lutar pela sobrevivência.
Todos os detalhes são para apreciar e fotografar, pois floresta igual
com estas características não se encontra em lugar algum do globo |
 |
| |
A viagem prossegue; alguma centenas de
metros antes do terminal linha férrea,
saímos da densa floresta de soutos, e entramos numa zona menos
arborígena, mais alta, com florestação baixa e de
menos porte. É daqui, já afastados dos contornos e sombras dos
castanheiros,
que então podemos observar as paisagens mais longínquas: a vila de
Sernancelhe, a aldeia do Mosteiro o Granjal, a serra da Lapa, a
serra do Pereiro, etc.
Em breve se chega à zona do Santuário, ou seja fim de viagem.
A zona do recinto é interessante e o espaço é imenso para se
desfrutar umas horas de convívio e saborear um bom farnel, ou então
esperar por mais alguns meses até que a pousada que já se encontra
em fase avançada de construção, ofereça pitéus e iguarias típicas
da região.
O monte, e o complexo religioso, são classificado com
sítio de interesse turístico. A vila faz a festa no 1º Domingo de Maio e no
dia três do mesmo mês. Grandiosa procissão tractorizada, organizada junto à
igreja matriz, ascende por entre muros, castanheiros, urzes e
giestas em flor, na estrada |
 |
|
|
em paralelo à linha férrea.
É luxuosamente recheada de
andores ornamentados, anjinhos e figuras bíblicas, e da tradição da Igreja,
bandeiras, cruz paroquial e em lugar de relevo o palio, sob o qual vai o
sacerdote que transporta o Santo Lenho. Segue-se a missa solene campal, com
sermão de circunstância e doutrina. O apetecível almoço, a modos de merenda
ou farnel, antecede a romaria com os rebanhos, a recitação do terço do
rosário e o regresso solene da procissão à vila e à Matriz. |