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A rentabilização económica da linha e a invasão do Seixo pela sua passagem

 
A realidade é que a CP não é uma companhia da providência, para dar ofertas, é uma empresa que só funciona quando há rentabilidade e viabilidade.

O Presidente da CP, Dr.Ferdinand Verbiest, foi extremamente perspicaz com as duas presidentes de Junta, quando realizaram o contrato de concessão e exploração.

Com conhecimento destas, estava declarado no contrato, numa alínea e em letras bem pequenas, que, logo a linha turística estivesse concluída, então esta prosseguiria para lá da estação. pela estrada do aldeamento do Seixo acima, dividindo «a meio», «na realidade» a povoação.

Claro que estavam contempladas passagens de nível, mas depois dos avanços da obra e esta estar concluída, é que então se evidenciaram os malefícios irremediáveis e responsáveis por uma verdadeira repartição em dois do Seixo.

Vemos o absurdo da fotografia da direita: a escola que estava mesmo de frente com a Igreja e o resto da povoação, agora está  apenas acessível por uma passagem de nível automática - alto risco
e  perca de liberdades das crianças escolares.

Estava referido na cláusula do contrato que no final da linha, na estação do Seixo, ficaria em aberto um pequeno espaço para servir de prolongamento ao dito ramal para Penedono um dia, caso se justificasse.
Ninguém entendeu, ou estiveram desatentos, à alínea que contemplava de imediato a continuidade dos carris até às pedreiras mais próximas, localizadas já depois da via rodoviária Sernancelhe - Penedono.

À direita, mais uma aberração do planeamento e construção da obra: precisamente do outro lado da Igreja do Seixo que estamos a ver, encontra-se a dita escola acima referenciada.

Tempos oram que era apenas uma pacata estrada que as dividia, com passadeira apropriada.
É certo que se só fossem comboios turísticos a passaram, a média seria de 4 a 6 por dia.

O pior foi quando poderosas máquinas de comboio e respectivas composições começaram a circular localmente para um e outro lado de 30 em 30 minutos carregadas de granito a grande velocidade.

 
A linha do comboio vai então cruzar a estrada Sernancelhe - Penedono (em direcção à grandes pedreiras que ficam do outro lado) precisamente por cima do cruzamento da antiga estrada.

A acessibilidade rodoviária à aldeia por esta estrada principal veio a ser contemplada com um outro nó, situado mais abaixo, mais próximo de Sarzeda, tornando-se numa variante do aldeamento do Seixo.

É a força e o motor do progresso e dos grandes interesses económicos, e por tal, nos tempos actuais, havendo mão de obra prometida nada há a fazer; compreendemos a posição das Presidentes de Junta.

Um ano depois do início da linha turística, inaugura-se o prolongamento dos carris até às pedreiras.
 

 
São várias as empresas a funcionar ao mesmo tempo, pois a procura de granitos pelo País é muita, e a exportação assume proporções elevadas; por outro lado o transporte do minério, fica a um preço muito aquém do aplicado pelos camiões.

Então damos razão ao Dr.Ferdinand Verbiest, presidente da CP (comboios de Portugal), pelo olho "clínico" que possui ao realizar o contrato com estas condições - óptima rentabilidade para a CP.

A velocidade dos comboios na linha, deixou de ser a mesma programada pelos trens turísticos, e os comerciais, passaram a circular a uma média de 60 Km/ hora.

Ruídos, poeiras dos granitos, apitos dos comboios, passagens de nível sempre a fechar, foi o cenário que se veio imediatamente a verificar e a agravar.
Na figura de cima e de baixo, observamos já os comboios entre São Roque e o

Seixo, carregados do minério e a rentabilizar o investimento.
Economicamente foi bom para Sernancelhe, essencialmente para as freguesias de Vila da Ponte e Sarzeda, mas para a aldeia do Seixo a ideia "económica" do trajecto em passar pelo seu coração, tirou-lhe a pacatez e segurança; valeu o contrabalanço dos investimentos turísticos locais, que deram o ganha pão a quantos da localidade o desejassem.

   

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