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O Castanheiro (Castanea sativa Mill) foi, durante séculos, uma das mais importantes
espécies arbóreas em Portugal e particularmente nas Beiras e em Trás-os-Montes, regiões em que a castanha foi, durante muito tempo, o principal alimento das populações rurais de montanha.

O fruto de inferior qualidade era um alimento de eleição para os animais domésticos, com reconhecido sucesso na qualidade da carne, particularmente nos suínos. Além de fornecer castanha, madeira nobre e lenha como combustível, o castanheiro era também utilizado no curtimento de peles, devido à sua riqueza em taninos, e na fitoterapia popular devido a algumas das suas partes (folhas, casca, flores e frutos) possuírem propriedades sedativas e tónicas.

Com a chegada a Portugal de novas culturas como a batata, o milho e o centeio, a castanha foi gradualmente perdendo grande parte da sua importância, sendo relegada para terrenos menos férteis e marginais, chegando, em alguns casos, a ser abandonado o seu cultivo. A sua condição foi agravada pelo aparecimento de doenças, como a doença da tinta e mais recentemente o cancro americano. Assim, a área de castanheiro diminuiu consideravelmente nos últimos anos.

Nos últimos anos tem-se verificado uma grande apetência por parte dos agricultores na plantação de castanheiro. Este facto resulta dos apoios à plantação, no âmbito de programas comunitários e na procura de castanha nos mercados nacional e internacional, quer para consumo em fresco quer para a indústria.
Esta espécie é por vezes a única hipótese cultural para vastas áreas, proporcionando aos agricultores rendimentos interessantes, numa região deficitária em produtos alimentares. Assim, verifica-se, para além do aparecimento de novas áreas plantadas, a introdução de novas técnicas culturais, o que se tem traduzido num aumento da produção e da melhoria da qualidade da castanha.

Devido ás exigências do mercado em produtos de elevada qualidade, e para salvaguarda de um património genético que enriquece o Homem e a paisagem da região considerada como o "Solar do castanheiro", foram criadas três Denominações de Origem na Região Agrária de Trás-os-Montes: "Castanha da Terra Fria", "Castanha dosSoutos da Lapa" e "Castanha da Padrela". A Denominação de Origem "Castanha da Terra Fria" é a que possui um maior número de explorações - cerca de 7.218 -, com uma área plantada de 12.455 ha. Note-se que estes valores representam 44% das explorações e 53% da área plantada na Região Agrária de Trás-os-Montes.
Na Denominação de origem "Castanha dos Soutos da Lapa" verificou-se um aumento de 1.121 ha de 1989 a 1999.

A castanha portuguesa impõe-se no mercado externo pela sua qualidade. Com efeito, trata-se de um produto privilegiado, tendo um saldo positivo na balança comercial portuguesa. O Brasil, França e Espanha têm sido os principais importadores, adquirindo cerca de 85% das nossas vendas, distribuindo-se os restantes 15% por países como por exemplo Itália, Suíça, e EUA, de entre outros.

Produzem-se, essencialmente, três cultivares: a Longal, a Judia e a Martaínha. Em menor quantidade produz-se um conjunto de cultivares que, sobretudo pelo seu calibre, não tem grande aceitação no mercado. Contudo as suas características organolépticas e tecnológicas são interessantes para consumo em fresco e indústria.

Relativamente à constituição química, na castanha encontram-se muito bem representados os elementos minerais, em particular o potássio, o fósforo, o cálcio e o magnésio. No que respeita aos oligoelementos, o cobre e o manganês apresentam valores importantes. Para os ácidos gordos, em 18 amostras de cultivares regionais, verificámos que 82.3% correspondem a ácidos gordos insaturados e 16.7% a saturados. Do total dos insaturados, 62% correspondem a polinsaturados e 37% a monoinsaturados. De entre os ácidos gordos saturados o dominante é o ácido palmítíco seguido do esteárico. Além destes elementos também os aminoácidos e as fibras são componentes importantes na castanha. A nível gustativo, os aromas, a textura e os taninos variam com as cultivares, mas, de um modo geral, as castanhas são muito apreciadas em natureza ou depois de transformadas, como por exemplo o "marron", a castanha assada, cozida, etc.

A castanha é um alimento que apresenta características bioquímicas interessantes para a dieta alimentar humana, devendo, para tal, ser fomentado o seu consumo.

A actividade de experimentação decorreu, de 1996 a 2000, no âmbito do Programa de Apoio à Modernização Agrícola e Florestal (PAMAF), Acção - Investigação, Experimentação e Demonstração e no Programa INTERREG II.

Com o projecto PAMAF/IED Contributo para o Desenvolvimento da cultura do castanheiro (Castanea sativa Mill). Caracterização fotossintética, morfométrica, isoenzimática e nutricional de cultivares, detectaram-se e caracterizaram-se, a nível bioquímico e morfométrico, cerca de 20 cultivares autóctones de Castanea sativa.

No âmbito do projecto Contributo para o estudo fitossanitário do castanheiro nas principais manchas das denominações de origem "Castanha da Terra Fria", "Castanha dos Soutos da Lapa" e "Castanha da Padrela", foram seleccionadas variáveis (factores abióticos e bióticos) definidas à partida como aquelas que mais poderiam estar relacionadas com a "doença da tinta" do castanheiro.

Actualmente, dá-se seguimento ao projecto PAMAF/IED 2091 e decorre, em parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, o projecto Soil management practices in chestnut orchards and implications on agroecosystem sustainability and profitability, com o acrónimo Manchest, que tem como objectivo obter nova informação sobre a gestão do solo em soutos, de forma a aumentar a rentabilidade e sustentabilidade deste agroecossistema numa perspectiva de produção integrada.



   

 

  

Referencias bibliográficas:
Fernandes, C. T. (1966). A doença da tinta dos castanheiros. Parasitas do género Phytophthora de Bary. Publicações da Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas. Alcobaça, 97p.
Anuário Hortofrutícola. Gabinete de Planeamento e Política Agro-Alimentar (1991-1999)
Instituto Nacional de Estatísticas Agrícolas. Recenseamento Geral da Agricultura (RGA 1999).

 

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