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 O silêncio na aldeia ao longo duma década de anos

 

 Na verdade Macieira possuía rendimentos próprios e abastados, e sem dúvida podia dispor de outros tipos de iniciativas e investimentos que as outras aldeias do concelho de modo algum teriam tal capacidade.
Efectivamente os arruamentos, construção da Junta de Freguesia, restauro e modernização da Igreja, e muitas pequenas obras, nomeadamente melhorias dos caminhos de acesso a propriedade rurais,
etc, tornaram-se num trabalho rotineiro sem paragens e que invejava as outras freguesias, mantendo admirado o Presidente da Câmara. Aliás surgiu um imprevisto interessante: como Macieira era território de Sernancelhe, e os dinheiros do negócio da pedra revertiam todos a favor da Junta de Macieira, o presidente da Câmara procurou contornar em reunião de Câmara e reunião de Assembleia Municipal o problema, procurando aplicar uma taxa de 50% sobre os rendimentos líquidos do valor do mineral que então recebia.
Discussões e mais discussões, mas acabou por prevalecer a legislação estabelecida na constituição da República Portuguesa.
Macieira é autónoma nas suas explorações e colheita de rendimentos, apenas o quem de pagar ao Estado Português é o IVA.

Mas as as obras em Macieira pararam, não houve mais investimento visível na aldeia, e as pedreiras cada vez eram mais e a sua rentabilidade e taxas a pagar à Junta de Freguesia aumentavam bastante de ano a ano.
Dúvidas e interrogações, sobre o que a Junta de Freguesia fazia com o dinheiro em stock, aliás o silêncio era duvidoso.
O que se seguiu: uma inspecção geral dos tribunais entrou em cenário, visto que havia suspeitas sobre o paradeiro dos lucros da venda do minério.
Conclusão: o Sr. Herculano José do Nascimento, conhecido por Barão de Macieira e presidente da Junta de Freguesia de Macieira, com os lucros das pedreiras, afinal de contas tinha tudo legalizado. Numa extensão de cerca de 4
Km, logo a seguir às curvas do cruzamento de Ferreirim e até Macieira, conseguiu negociar e comprar todos estes terrenos aos proprietários de Ferreirim e Macieira, revertendo a posse das propriedades à Freguesia de Macieira.
E para quê tal investimento sem sentido? Urbanização, parque industrial, florestação ou outro projecto agrícola que desse vitalidade a Macieira? Ninguém soube e nas reuniões da Assembleia da Câmara, era muito criticado e chamavam-no "o açambarcador"
Há cerca de 4 anos resolve fazer uma limpeza total de toda a vegetação da imensa propriedade da junta de
Maceira, destrói todas as elevações graníticas desta extensão e para admiração de todos, surge ao longo da extensão de todo este território, e paralelo à estrada municipal para Macieira, vários cartazes assim intitulados:

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Foi o acontecimento mediático na altura para a população de Sernancelhe e territórios circunscritos. Faziam-se filas de automóveis aos fins de semana para admirar o dito projecto megalómano.
Uns achavam-se cépticos, outros diziam que eram impossível, mais outros chamavam obra de loucos. Enfim: há que esperar para ver.

 

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